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Resenha| Infiltrado na Klan (2018)



Sinopse: Em 1978, Ron Stallworth, um policial negro do Colorado conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan local. Enquanto ele se comunicava com os membros por telefone e cartas, outro policial assumia seu lugar quando precisavam se encontrar pessoalmente. Baseado em uma História real.   

Depois que você assiste Infiltrado na Klan, é difícil voltar a ver o mundo com os mesmos olhos. Não que você ache que racismo não exista, mas existem cenas que vão chocar até pessoas que tem não mais do que o mínimo de empatia pelo próximo. O objetivo do longa foi alcançado com sucesso. 
A direção aqui é de Spike Lee e ele apresenta um ritmo inigualável para o longa. Temos toda sua crítica social diante do racismo, mas não adianta muito o filme ter uma mensagem importante e não ser bom o suficiente para segurar o espectador na tela. Felizmente, essa parte é feita com maestria. 

O diretor cria um filme onde o nervosismo se faz presente. No momento em que Flip, policial vivido por Adam Driver começa a se infiltrar e fazer amizade com os membros da Klan, temos um personagem que desconfia do detetive. É um artifício simples, mas a repulsa que se cria por esse personagem e sabendo até onde o ódio pode levá-lo... tememos constantemente pelos protagonistas. Vale ressaltar também os momentos pontuais onde o filme trabalha seu senso de humor, seja em algum diálogo ou rindo da cara de racistas nojentos, o que é muito válido. 




Os personagens são muito interessantes, pois cada um do trio principal tem um traço interessante de personalidade. Flip é um cara que chega a ter vergonha de mostrar sua crença judaica para não sofrer com piadinhas, mas sente na ferida os ataques da KKK com sua religião e compra a briga. Ron (John David Washington) quer combater o racismo, mas não quer acreditar que violência seja a solução, já Patrice (Laura Harrier) é uma protestante que cansou de ficar calada e está pronta para partir pra guerra se for preciso. O interessante é que o roteiro não trata nenhum dos deles como errados, mas sim pessoas com histórias diferentes, pois se para um homem negro a situação já e horrível, para uma mulher negra nem se fala. 

Some esses elementos a construção de cenas deslumbrantes aos olhos, onde a iluminação em uma determinada cena destaca a pele negra e os cabelos BlackPower. Ou na edição onde existe uma troca de cenário que intercala uma reunião da KKK com um relato de um homem negro que vai fazer as pessoas que acreditam em racismo reverso pôr a mão na consciência. Tudo isso deixa o filme ótimo por si só, tem ritmo, ótimos personagens e um estilo único. Além disso tudo, ele carrega uma crítica social e aí o diretor consegue além de entreter, chocar seu público.




Como falei antes, não adianta o filme trazer uma boa mensagem e não ser bom. Já falei que ele é ótimo e quando ele quer te deixar pasmo, o desgraçado consegue e o filme se torna uma obra completa. O roteiro não dispensa críticas ao atual governo americano de formas nem um pouco sutis, o que deixa bem claro o objetivo que os produtores queriam alcançar. E quando chega nos 10 minutos finais notamos seu grito de revolta, uma revolta que perdura por séculos e que vai fazer qualquer espectador pensar sobre o assunto de forma diferente. O racismo, assim como o preconceito por qualquer minoria está longe de acabar, ainda mais quando lembramos dos líderes de países completamente desprovidos de humanidade que soltam frases do tipo “minorias devem se curvar as maiorias”. 

Infiltrado na Klan pegou no meu sentimental pelo simples fato de eu conseguir fazer ligação com o que muitos países, incluindo o meu, passam agora. Em determinado momento vimos no quintal de um homem branco que se intitula raça superior, uma placa com o letreiro “America love it or leave it!”, isso deve soar familiar para você. Pois é, que medo do nosso futuro, quer dizer, do passado que pode estar por vir.



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