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Cinema| Bohemian Rhapsody (2018)



O que Queen tinha de fantástico, tinha de polêmico. Existem várias histórias envolvendo as festas que Freddie Mercury comandava regadas a drogas e inconsequência. Nas músicas essa rebeldia era posta a prova no estilo de compor, sempre experimentando várias formas de fazer algo diferente, sair da mesmice e graças ao talento de seus integrantes, se tornou uma das melhores bandas da história.

Tendo esse fato em mente, chega a ser curiosa a decisão do filme de preferir minimizar essa rebeldia. Não que ela tenha sido escondida, não mesmo, a sexualidade de Freddie, seu uso de drogas, seus namoros... Acontece que essa parte do filme é mostrado de forma simplista. Vemos um pó espalhado na mesa, uns beijos e pessoas rindo e bebendo. Uma festa até comum se tratando da loucura que era essa banda nos bastidores.

Com esse resumo, o filme foca bem mais na parte artística das composições das músicas o que é muito bem vindo. Acontece que quando se oculta toda a loucura que era a vida deles, o filme acaba se tornando um relato não tão honesto e até conservador. Ainda mais quando o roteiro tem o orgulho em falar que os outros membros casaram e construíram famílias enquanto o Freddie está solitário e sozinho.


Porém, no que ele se propõe a fazer, faz bem. A montagem é muito ágil e até ajuda o humor do filme a funcionar. A direção endeusa Freddie Mercury sempre que é preciso (nada mais justo) e o elenco manda muito bem!

Rami Malek dá vida a Mercury de uma forma competente. Tirando a péssima prótese dentária que tirava minha atenção durante o filme, ele trabalha sua atuação na fisicalidade conseguindo transmitir todo o charme e extravagância que era o cantor nos palcos. É tanto que você nem percebe a dublagem nas cenas musicais.



Gwilyn Lee e Ben Hardy além de idênticos a Brian May e George Taylor deixam os personagens extremamente carismáticos. Lucy Boyton faz Marry, a personagem mais interessante da vida de Freddie, pois é o amor da vida dele mesmo ele sendo gay. É uma história interessante e que está bem no filme até certo ponto por ser resumida demais.

Aliás, é difícil se entregar emocionalmente quando o filme é tão resumido que tira muito do peso dramático que ele poderia ter e tira parte do vínculo emocional que o público poderia extrair.

Bohemian Rhapsody tem muitos pontos ao seu favor, ainda mais se for levar em conta os problemas de produção que esse projeto passou. É um entretenimento cheio de energia e que trata com louvor a arte de um dos melhores cantores que já pisou na terra. Acontece que não sai fora das caixinha das biografias, ficando sem muita originalidade e conservador demais ao querer maquiar os fatos mais sombrios. E falta de originalidade e conservadorismo não são nem um pouco a cara do Queen.


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