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Resenha | Nasce uma Estrela (2018)


Quando Nasce uma Estrela começou eu não sabia exatamente o que esperar. Já havia escutado algumas músicas e me impressionei com Shallow, mas sobre a história eu só conhecia uma base. Optei por não assistir as versões anteriores (o filme é o terceiro remake do original de 1937) e acho que foi minha melhor decisão. Se eu soubesse o mínimo da história talvez minha imersão teria sido diferente.

Frederic March e Janet Gaynor. Protagonistas da versão original de "Nasce Uma Estrela" (1937)
Jack (Bradley Cooper) é um famoso astro do rock que descobre o talento musical da garçonete Ally (Lady Gaga). Os dois começam um relacionamento, mas quanto mais Ally brilha, mais Jack se afunda na carreira e na vida.

O primeiro impacto que o filme nos causa é na música de abertura. Com uma guitarra bem pegada e um estilo Country Rock muito bom de ouvir. Se existe algo que prevalece durante a projeção é a trilha sonora que é maravilhosa. Destaque, claro, para Shallow que dentro do contexto do filme se torna ainda mais emocionante.

Mas não é só de músicas boas que Nasce Uma Estrela se sustenta. O roteiro, mesmo dependendo de muitas passagens de tempo que acabam deixando resumido, consegue manter o foco muito bem no dilema do casal. Uma hora o filme é dos dois, e nesses momentos ele não tem pressa. Mostra o casal se conhecendo e se interessando um pelo outro. Mas logo os acontecimentos focam mais em Ally pra depois passar a focar mais em Jack. Deixando assim espaço para os atores exibirem sua excelente química e brilhar individualmente.

Falando em elenco, Lady Gaga está ótima. E não digo isso apenas por sua voz arrepiante, ela tem presença em cena, principalmente nos momentos musicais. É interessante notar como ela cria uma personagem que, no começo carrega uma timidez aprazível e depois vai adquirindo uma postura de artista. Uma transformação que ocorre de forma bastante orgânica.


Mesmo ela estando ótima, o brilho aqui fica com Bradley Cooper. Seu personagem é complexo, com traumas. No palco mantém uma postura rockstar e voz robusta, mas no seu olhar conseguimos ver o quão vulnerável ele é. E quando essa vulnerabilidade é posta pra fora fica impossível conter, levem lencinhos . Ele trabalhou seu personagem com maestria, é uma atuação digna de Oscar.

Bradley Cooper também dirigiu o filme, e aqui descobrimos mais um talento. O diretor nos mostra, através de planos fechados no rosto dos personagens que essa é uma história íntima daqueles dois. Além disso, a multidão que nos é mostrada das plateias é quase sempre por uma câmera atrás dos personagens, através do seu ponto de vista. Os planos fechados também fazem questão de deixar pouquíssimos espaços quando os protagonistas estão no quadro os mantendo praticamente colados. Não é uma história sobre ser famoso, é uma história sobre declínio, ascensão e amor e o diretor nos mostra isso de forma inteligente.


Com um final emocionante que consegue tocar em temas delicados de forma responsável, fica difícil não deixar a lágrima escorrer. Uma história que pode parecer simples, mas que é contada com tanta delicadeza que fica impossível não grudar na tela e torcer para que aqueles dois continuem interpretando seus duetos juntos.  É um projeto que deu luz a uma atriz e um diretor que juntos nos presentearam com um dos melhores filmes do ano.


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