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Doramas | Switched (Jap)



Switched é uma daquelas séries que eu coloquei na minha lista da Netflix e esqueci por um tempo, até que não tinha muito o que assistir (mentira, só não queria assistir o que tinha episódio disponível). E foi uma daquelas surpresas gratas que você nem imagina que podiam existir, e que fazem você se perguntar porque mais pessoas não conhecem essa obra maravilhosa.

A série apresenta duas personagens, Ayumi e Zenko, que tem vidas completamente diferentes. Ayumi tem uma casa digna de revista de decoração, amigos populares, é bonita e com notas exemplares. Já Zenko vem de uma casa com uma mãe abusiva, tem dificuldades em se enturmar, e não se encaixa no padrão de beleza japonês. Um belo dia, depois de ser chamada para um encontro romantico, Ayumi recebe uma ligação de Zenko, que está na beirada de um prédio. Zenko comete suicídio na frente de Ayumi, que desmaia. Quando acorda, ela incrivelmente está no corpo de Zenko, e sem entender muito bem o porque se envolve em uma aventura em busca de voltar a seu próprio corpo.

A série é em uma única palavra, magnífica. As atuações são muito superiores à muitos doramas que já assisti, e a história cativa. Os amigos de Ayumi são envolvidos de uma forma absurda, e no final até mesmo uma mitologia japonesa é utilizada para explicar o fenòmeno da troca de corpos. As explicações são bem satisfatórias, então neste ponto não há do que reclamar.

Se existem duas coisas que me incomodaram um pouco, talvez sejam a personagem mãe de Zenko e de um dos amigos de Ayumi, Kaga. A mãe de Zenko passa a história toda como um personagem extremamente abusivo, que proíbe até mesmo que a filha use sua escova de cabelo (?). Ela bate na filha, é abusiva verbalmente, e faz separação nas coisas que a menina pode usar dentro de casa. Mas no final, como mágica, ao saber do que a filha havia feito, ela tem uma redenção que não é satisfatória, e que não combina com a personagem. De repente, parece que a culpa do comportamento materno é todo da personalidade ruim de Zenko, que nesse ponto sai como a grande vilã, apesar de ter tido uma redenção muito bem escrita no caso da troca de corpos.

Já Kaga passa a série quase toda como um fiel escudeiro de Ayumi, quando ainda estava no corpo de Zenko. Ele é a primeira pessoa a reparar na troca, e faz de tudo para ajudar a amiga. Quando fica clara suas intenções romanticas, e quando ele expõem que mesmo que ela não volte a ter o corpo de antes, ele a amará, surge o outro amigo como um príncipe no cavalo branco e rouba a cena. De repente ele desde o início planejou ajudá-la, e acaba como o namorado de Ayumi. É desconsertante, porque mais uma vez temos aquela trope do melhor amigo que não é tão bonito quanto o popular da escola, que faz de tudo para ajudar a personagem principal sem esperar nada em troca, mas que no final tem o tapete puxado para que ela fique com alguém que fica melhor nas fotos promocionais. É no mínimo revoltante para com um dos melhores personagens da história.

Mas a série é muito boa, porque de erros eu só consigo perceber esses dois. A discussão sobre bullying, tentativas de suicídio e depressão é incrivelmente bem feita. E a premissa de que todo mundo merece uma segunda chance está lá também, de forma incrivelmente bem feita. Como discussão acerca de doenças psicológicas e da dificuldade de se estar no ensino médio, Switched é tudo que 13 Reasons Why não conseguiu ser. Mas não ganha a mesma visibilidade porque não é ocidental.


Nome Ocidental: Switched
Nome Original: 宇宙(そら)を駆けるよだか
Número de Temporadas: 1 Temporada (6 episódios)
Ano: 2018
Emissora: Netflix 

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