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Cinema | Megatubarão (2018)


Em determinado momento de Megatubarão, a vida de um doguinho fica em perigo. Pensei comigo "que morra qualquer personagem, mas que deixem esse cachorro em paz". Eu estava mais preocupado com o cachorro que havia aparecido em dois segundos do que com outros personagens que acompanhava por quase duas horas. Tá certo que comparar gente com cachorros é apelação, pois cachorros são legais. Mas quando esse tipo de filme não te faz se importar com os personagens é porque tem alguma coisa errada. 

Dirigido por John Turteltaub e escrito por um time de seis roteiristas (nunca um bom sinal). O filme segue um grupo de pesquisadores marinhos que, ao explorar além das profundezas do oceano, acabam ficando presos devido ao ataque de um tubarãozinho de 20 metros. Agora resta a um careca carrancudo especialista em  resgates (Statham) se recuperar de um trauma e salvar a tripulação. 

Jason Statham me enganou direitinho. No começo até achei que ele poderia ser diferente, pois seus primeiros momentos davam a impressão de um personagem com mais profundidade. Mas ao longo da projeção ele vai ficando cada vez mais "herói qualquer coisa". Mesmo o ator tentando, não conseguimos torcer por ele e parte disso vem de um erro triste do roteiro que sempre faz o carrancudo depender da sorte. Então dificilmente vamos comprar a ideia de um herói se não o vemos escapar das ciladas usando a inteligência. 

Junto com ele está a atriz Le Bingbing que nos dá uma interpretação com quase nada de expressões, uma personagem que mais irrita do que qualquer outra coisa, passei o filme querendo ela na barriga do tubarão. E nem vou entrar no mérito dos coadjuvantes porque eles são uma mistura de qualquer coisa com quase nada. Pelo menos a menininha é fofa.

Ah e o roteiro também não colabora muito. Colocar personagens em perigo e depois esquecer completamente deles é um diferencial. Abusar de momentos dramáticos e de lição de moral com frases tão bregas que nem Reginaldo Rossi teria coragem de cantar é outro diferencial. E nos poucos momentos que o humor funciona solta no máximo um risinho de canto. Existem filmes que divertem pelo absurdo, mas aqui esse absurdo dá vontade de esfaquear o cerebro.

Bom, você pode estar me chamando de chato ou exigente com aquele argumento "ah, mas é um filme de tubarão grande e é isso que eu quero ver". Se você vai buscando só isso, pode até sair satisfeito. O filme entrega momentos de ação que podem divertir algum espectador. A sensação que os personagens estão realmente de baixo da água é crivel e o IMax ajuda na experiência dessa imersão. Mesmo previsível, o longa até consegue deixar a ação bacana e os momentos finais chegam a empolgar pelo ridículo.

Megatubarão pode agradar muitas pessoas que buscam uma diversão esquecível. Também pode desagradar aquelas que se abalam com personagens chatos e roteiro ilógico. Eu fico no segundo grupo e dessa vez nem um tubarão gigante assassino me fez deixar isso pra lá.






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