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Cinema | Acertando o Passo (2017)


Quando escrevi sobre “Ella e John” falei que Hollywood não sabe lidar muito bem com seus atores e atrizes veteranos. Restando os papéis de avôs e avós. Ou então os “coroas” que sabem que vão morrer e decidem viver a vida da melhor forma possível. Pois parece que o mal está começando a contaminar o cinema britânico, ainda que de forma menor. Em “Acertando o Passo” temos todos os clichês envolvendo os filmes com idosos. Duvida? Segue a lista: piadinhas sobre morte, dor nas costas, momentos “vida loka” e uma lição sobre como a vida é curta, mas nunca é tarde demais para recomeçar. Ainda assim, graças ao elenco sensacional e boas doses de humor, o filme consegue divertir e ser superior as produções americanas.

Na história Sandra (Imelda Staunton) é a azeda, rica, recatada e dona do lar. Até que durante uma festa ela descobre que seu marido está a traindo com uma das suas amigas. Irritada, Sandra vai para a casa de sua – muito humilde – irmã Biff (Celia Imrie). Ao contrário da irmã, Biff vive em um pequeno apartamento, nunca se casou e faz aulas de dança por prazer. Entre muitas farpadas e confusões, Sandra vai conhecer Charlie (Timothy Spall) e começará a questionar sua vida.

O filme segue a regra da “mulher rica e esnobe que é obrigada a descer do salto alto e começar a dar duro para poder se encontrar” e não se esforça para escapar disso. Desde os primeiros momentos o longa mostra que pretende ser apenas isso: uma divertida comédia sobre o envelhecimento e como devemos viver a vida como se fosse nosso último dia na terra. E justamente por não querer ser nada a mais que consegue entreter e distrair. Mesmo que a todo o momento tenhamos a sensação de já ter visto esse filme mais de uma vez.

Cheio de boas piadas e com um elenco afiadíssimo, Acertando o Passo não traz nada de novo. Contudo, ao menos está acima das produções americanas. Isso porque não sentimentaliza tudo e traz um pouco do humor sarcástico, típico das produções britânicas. Ainda assim, sinto muito em ver tanta gente talentosa em um filme tão “pequeno”, jura que a terceira idade se resume a isso? Não há outras histórias envolvendo pessoas com mais de sessenta anos? Agora falando de um modo geral, o cinema parece não ter encontrado um equilíbrio, ou estamos vendo histórias tristes como “Amor” ou comédias como “Exótico Hotel Madrigold”, porque não fazer algo como “Gracie & Frank”, que traz sim a morte e a chegada da velhice em seus temas centrais, mas não se resume a só isso. Enfim, sente, relaxe e de boas risadas.


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